domingo, 22 de novembro de 2020




 

 Salve esta liberdade que circula o mundo

Salve os contextos sociais da liberdade!

Mas, onde está o champanhe despejado na taça?

- Brindemos a esperança humana - 

De ser de fato humano no "sentido animal"

 ser dócil e amoroso feito um cãozinho

doce e manhoso como um gatinho

alegre e despreocupado como um pássaro

tenho passado os olhos no mundo e ainda

percebo a luz em algumas pupilas

ainda há por trás das máscaras, pessoas

resquícios de nobres homens e mulheres

aquelas criaturas semelhantes ao Criador


domingo, 15 de novembro de 2020



                   Rotas


Se permito a vida em mim

sendo engomada ou amassada

se meu folego está aqui

respiro a vontade de ficar

se abraço o tempo e o seguro

são minhas mãos fortes dona

deste destino de ir e vir

se minha tez lisa se mostra

e o sol  mergulha  meus poros

fico envaidecida e traço rota

decido ir a lugar outro

em que me acomode a mesa

me espalho em papéis alvos

e minhas rotas se desenham

agora passo a vida adiante

giro a perna do compasso

e de tantas linhas circulares

tenho as mãos o universo 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020






Mais que Bombril!

À água
que lava de tudo
que leva impurezas
do corpo e d'alma
das coisas e não coisas

À água
que encanta 
que sacia
que refresca
que acalma


Às águas
que bordam
caminhos na face...
nas veias do rio
o caminho seguem

Às águas
que descem
dos céus
despejam cores
nas íris

Às águas 
que hidratam
as sementes
nos jardins
e nas florestas
à água perfumada
de flores
que se borrifam
nas donzelas
...





terça-feira, 9 de junho de 2020


A Felicidade é um estado - O ser é contemplativo, por isso que é ...




Felicidade

existe a vontade de ser feliz
que parece algo inalcançável
a felicidade  permeia os dias
é o estado transitório do ser feliz
já que a vida se faz de momentos
nem sempre bons e nem sempre ruins
a felicidade existe dentro de cada um
de forma diferenciada

instantes de voos solitários

expansão do incomum dia

o sorriso que vem sozinho

aparece embelezando o rosto

O sopro do vento nos sentidos

Formando um elo com o mundo

Um prazer que aquece a alma

Nos lembrando o sangue que caminha

Em nossas veias e artérias

Dando força ao coração








quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Resultado de imagem para imagens bucólicas de quintal




 Sem mistérios


Ouvi um passarinho espalhar cantos
nos jardins de uma  jovem vida
as profecias colhiam néctar d'alma
que suspirou cada nota do chilrear
destarte os campos se curvaram
as flores se ouriçavam em suspiros,
enquanto o sol resplandecia nos pequenos
olhinhos, e lá os sonhos se erguiam
isto foi há muito tempo, quando
na janela se estendia o mundo
num quadro em movimento
onde também se tiravam sorrisos
tão cristalinos, quanto a transparência
daquela taça de cristal, servida
de um champanhe em dias de festas
o mundo era menos globalizado
se media em finitos horizontes
às vezes, eram léguas - apenas poucas -
e um canto de pássaro era o despertar
de manhãs e a despedida das tardes
óbvio assim, sem mistérios



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018







Quando Farrapos virou Maravilha.



Raquel, menina meiga e delicada. Voz de anjo, digo isso, pois acredito que anjo tenha a mesma voz. Sorriso nos olhos. Covinhas nas faces. Linda como o por do Sol. Muito decidida. Vivia na casa da avó. Seus pais moravam em outro país.
A vila onde residia a família era de uma pobreza enorme. As casas, pequenas para famílias grandes. A maioria das moradias era de madeira. Não havia alegria na vila. As pessoas reclamavam se fazia sol, se chovia, se parava de chover, se trabalhavam, se não tinham trabalho. A lista de reclamações era imensa. Dia após dia a mesma ladainha.
Raquel, mudou para o vilarejo com sete anos de idade. Já sabia ler e escrever. Amava ir a escola. Amava os professores. Mas, a garota começou a ficar incomodada com tantas reclamações. Não entendia o que significava tanto falatório. Sabia que não achava legal as pessoas se queixarem de tudo e de todos.
 Raquel, começou a matutar sobre este assunto o qual ninguém havia pensado. Nem ela se deu conta quando um dia teve uma ideia. E, não demorou muito começou a por o plano em ação.
As aulas eram pela manhã, à tarde a menina estava livre. Passou a visitar a vizinhança e elogiar o dia.
Falava do cabelo de Sinhá que estava sedoso. Dizia a Maria que ela ficava linda de azul. E, assim ia criando elogios para todos os ranzinzas do lugar. Não dava trégua a ninguém. Ela tagarelava até as pessoas acreditarem.
Ela entendia que o sorriso era a confirmação de que estava dando certo a primeira parte do plano. Após algumas semanas ela percebeu que as pessoas começaram a usar os elogios. Pronto. Certa tarde, pediu a avó umas moedas, queria comprar umas sementes de flores. A avó, mulher sábia, entregou a neta uma nota e mostrou sua satisfação com a pequena.
Raquel, comprou diversas sementes de flores e saiu de casa em casa. Estava disposta a florir a vida das pessoas.
Como havia conquistado os corações, não foi difícil convencer as pessoas a criarem um pequeno jardim a entrada da casa. Não era exatamente um jardim, mas era um grande projeto para alguém tão jovem. E graças a delicadeza das ações de Raquel, as pessoas passaram a cuidar mais das casas. Os quintais eram varridos pelas manhãs e tardes. As mulheres cantavam canções vindas do coração, enquanto faziam suas atividades domésticas.
Logo, as sementinhas brotaram e encantaram a todos. A pequena Raquel, estava radiante, pois agora as pessoas estavam mais felizes. O próximo projeto  já nascia em seu coração. E, logo, ela o poria em ação.
Esta história aconteceu no Farrapos, nome pelo qual era conhecida a vilinha. No entanto, após as intervenções de Raquel, os moradores passaram a chamar o lugar de Maravilha em homenagem a doce menina que sempre dizia: Aqui é uma Maravilha para se viver. 




quarta-feira, 27 de dezembro de 2017




Prefaciando


A felicidade consiste na simplicidade do viver.
 Independe de alegrias, independe de materialismos.
 Ela reside dentro de cada um.
 Alguns a sentem como um confortante cobertor nos dias frios.
 Outros a sentem na rotina do lar. 
Na sequência dos dias, mesmo dos dias em que a tristeza abate a alma. 
A felicidade fica resguardada. É um tesouro particular. 
Ela brilha nos olhos, jorra nas palavras, está presente nas ações.
Ela veste o ser humano de paz e amor. 

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Falsas aroeiras



Ramos se engrenham
Na terra que habitam
Lá rastejam e se dão
Entrelaçados as mãos
Se arriscam a subir
Em aroeiras e abraçá-las
Erva sorrateira, raposa
Vai acareciando o grande caule
Se enroscando bem mansinho
Até deixar na sombra a àrvore
E lá no meio do campo
Aquela forte arvore se vê de roupa nova
Há um aperto nas costuras
E da terra as alturas
Os ramos se maqueiam
E até parecem aroeiras
A mim não enganam!

Minh...ocas


Não me sinto poesia
Estou moinho de vento
Vejo as lateralidades sem leitura
Códigos estranhos desconexo
Aprendi olhar horizontes onde o sol
Vive.
A carreira dos sentidos me cegaram
Devo comprar em que lugar
O novo houais da língua portuguesa
Devo queimar velhas páginas de definição
E zerar o relógio mental? Ou devo
Resetar e iniciar os downloads deste
Imperioso universo que me desfaz
Algumas paredes se moveram, perdi
O foco quando lia Emília a boneca de pano
Enquanto o mundo lia a realidade
Se transfigurando e se reformulando
Foi neste congelar que a terra capotou
E virou a cabeça do mundo
Enxergam os olhos primeiro a terra
Com suas minhocas e poeiras que cobrem
As cabeças de adubo. E onde o céu ficou
Por baixo dos pés? E as estrelas?
Antes musa de poetas, agora o que são?
A poesia fugiu de mim...

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Os botões da calça


era mais um dia de lida
dolores ia e vinha na casa
esfregava, varria, limpava
renovava o chão com água
levantava antes a poeira
a aranha na arte de tecer
esticava suas longas pernas
e saia apressada para salvar a vida
pois a teia já se enovelava na vassoura
feito doce de algodão doce
dolores cantava palavras sem padrão
junta pedaços de canção
cozinha, lava, passa a ferro
a roupa do patrão
não engoma mais, pensa nisso
o quanto é bom
os dias voam em peças
destelhadas de memória
são livres os pensamentos
e Dolores vai na lida
empoando a vida




Simples



quando despia o dia
era para vê-lo por inteiro
sentir a intimidade
de pertencer a vida
desabrochar sorrisos
para a alegria dos olhos
alheios
todos os dias expor
o que tem nas prateleiras
do coração
espreguiçar possíveis pragas
dolentes
espiar a tela em branco
e começar a pintar
o cenário para atuar
tudo isso fazia
enquanto saboreava o café



quinta-feira, 16 de março de 2017






Conversando com os botões



Parece fugidio demais o momento
não desgasto e nem desgosto os dias
limpo as mãos desaguadas em suores
olho com profundeza a joaninha no jardim
delicada e bem vestida com suas bolinhas
pisa as pétalas como quem desliza em águas
o verde de ontem amarelou as bordas do pensar
cada folha branca merece ornamento de letras
tingia as folhas de grafite quando pequena
na época era verdadeira artista de sonhos
agora me fogem as palavras das cirandas
era orgulho rimar poeminhas e desenhar flores
não eram desenhos talvez resenhas do que veria
os louros ditavam modas eu desobedecia gritos
o silêncio é o grito mais belo que conheço
as vozes tagarelam comigo e derrubam os botões
como vão florescer as flores? a barriga descoberta
e o umbigo público. E os segredos conversados
as escondidas.
Tudo tem pouco de rebeldia...até o dia


sábado, 5 de novembro de 2016


Versos em fuga 



Verso rabiscado
sujo e desprezado
foi  o fim das rimas,
como a vida rascunhada
a cada dia, em linhas tortas
sofrego momento de respirar
a falta de palavras
e ver a vida sem nexo
embaçada na estrada pontilhada
por lágrimas
musica desalmada 
o canto do grilo noturno
o zumzumzum da mosca  no vidro
enquanto a noite declina
zumbido no ouvido
apito e apito, alto lá!
deixa-me pensar
rabisco migalhas e gargalho
despautérios semânticos
Baudelaire poeta boêmio
bebia palavras etílicas
e as destilava em folhas
que embriagavam leitores
e o barco levou os sonhos
de Cecilia eu os acordei
em Noturnos, bela prosa
quanto custa folgar os versos?
os deixei à vontade
quiça não voltam mais
ainda estão sujos, mal pensados



quinta-feira, 27 de outubro de 2016








Pena

pena não ter ideia
que valha a pena
deitar em versos
amenas rimas
raras e caras
pena sentir apenas
a sobra das palavras
tendo aparas de poesias
peças de um retalho
pena não ter
 as linhas semânticas
 que emendem
os pedaços desconexos
de um morro uivante
pena não ter a maestria
de compor a vida
em pauta limpa
traçando nova poesia  

quinta-feira, 28 de julho de 2016


...
verdes palavras
a esperança, uma fita aos cabelos
os olhos presos em borboletas
voam por entre amores
as flores desabrocham
se amostram se entregam
pulverizam a alma
dos prazeres dos jardins
e a vida voa... 


Imaturos


as mãos marcadas pelo trabalho
a tez escurecida pelo sol
e o pensamento que ficou perdido
em uma infância distante
a força que conduziu a produção
o arar o campo e lançar a semente
o cuidar dos animais o cuidar da gente
e os dias de lida foram tantos
as folhas do tempo retiradas uma a uma
é já outra primavera de muitas esquecidas
o corpo maduro, pronto.
a mente de uma criança birrenta
que insiste em se acabar
na pequena lavoura, na pequena vida

Murmúrios


inquietos rios
se movem em mim
ouço a melancólica
e vazia música 
de uma solidão,
que se aproxima
a me oferecer saudades...
ausências se desfolham
em minha esperança
lembro dos que se foram
e aquele caminhar calmo
em ruas desertas de vazios
as cores se mesclando
ao pálido momento
e os rios se juntam
ondulando pensamentos
e não cabe em mim
esta canção
e os rios transbordam
e minha face se lava
eclosão de murmúrios
de inquietos rios   

segunda-feira, 25 de abril de 2016


Matar a saudade


Viajei alguns quilômetros
 com o intuito de matar a saudade
 Levei muitos abraços.
 Preparei porções de beijos.
 Revesti meu olhar de minucias.
Queria gravar em mim seus detalhes
 As mãos hidratei com amor.
 O coração refiz de carinho.
 As palavras foram domadas,
 deixei o silencio comandar.
 Meus lábios preenchi de sorriso.
 No encontro, presentes distribuídos.
 E, houve tanto carinho e chamego.
 O tempo preenchido de ternura.
 Abasteci o espirito de você.
  Na hora da despedida,
 deixei lágrimas verterem.
 Voltei ao meu lar sentindo leveza,
 enquanto a estrada passava.
 Foi na chegada ao abrir a porta
 que compreendi,
  ao invés de matar a saudade
 a fiz reviver. Compreendi então:
 que saudade não morre.
Saudade se alimenta de amor
 e está sempre acesa
 feito uma chama eterna.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016






Lembranças...


criança pequena
ia brincar onde
jorrava água pura
vinda da serra, cristalina

cresci enquanto
os adultos
faziam eventos

invadiam a natureza
e a despiam dos verdes
expondo-a  ao sol

a cidade se apossou
da serra
desabrigou a mata

a fonte se perdeu
sem árvores
definhou, secou

agora não mais
as aves se alegram
a borboleta se foi

de fato encontrei
umas branquinhas,
perderam as cores

penso que o sol
as despintou
jazem agora sem abrigo

e, foram embora
as canções da natureza,
as buzinas martirizam

os ouvidos surdos
das árvores, às margens
do asfalto quente.

a água antes
pura e cristalina
descem tingidas,

da evolução humana,
são fétidas e tristes
aprendi pular poças

não há lua
se narcisando
na lama

e, sinto um aperto
e bastante lembro
da fonte...



quarta-feira, 4 de novembro de 2015




Flashes

Tem fundo absinto as memórias
Elas se escondem em gavetas
 células de cosmos invisíveis
De quando em quando a lembrança
Traça brechas na realidade
E atravessam por elas um clarão
E a luz faz os olhos fugir
Sim os olhos pegam distância
Enquanto a alma se abastece
Com doses de saudade...